Aurora da Filosofia da Tecnologia em Ernst Kapp e Gilbert Simondon para um esboço crítico ao estágio atual da experiência técnica
DOI:
https://doi.org/10.9732/2024.V128.1205Resumo
Uma nova disciplina filosófica nomeada Filosofia da Tecnologia vem revolucionando a reflexão filosófica deste século, propondo uma resposta diferenciada ao cumprir o mister filosófico de problematizar as aparentes obviedades vividas em cada momento histórico. E nosso desafio começa por buscar compreender o que significa uma palavra, que nada tem de óbvia: tecnologia. Seu emprego indiscriminado pelo senso comum é, sim, uma obviedade constatada em fatos postos em gráficos e planilhas, mas o que se entende por este fenômeno e as consequências que dele decorrem ainda exigem múltiplos escrutínios científicos e sociais. Este ensaio objetiva apresentar um breviário das origens da Filosofia da Tecnologia, a qual se constitui inicialmente como Filosofia da Técnica, tal como inaugurada explicitamente na obra de Ernst Kapp, e que se refina na obra de Gilbert Simondon. Trata-se de dois pilares da formação dessa nova disciplina filosófica, aqui tomados como referenciais respectivamente nos séculos XIX e XX, e que visa a oferecer novas chaves compreensivas do estágio atual do processo de artificialização da vida humana. Partindo desses dois programas filosóficos, serão trazidas reflexões sobre os fundamentos e dimensões da experiência técnica na constituição da natureza humana. Temática de indiscutível relevância, é aqui explorada com o propósito de compreender o estado da arte da inteiração homem-máquina que nos toma de assalto neste início de século, com graves rupturas, numa velocidade sem precedentes, exigindo novos horizontes críticos - teóricos e éticos-, para enfrentarmos os desafios ditos disruptivos que já nos amedrontam e os muitos que ainda estão por vir.
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